domingo, 8 de novembro de 2009

Era uma vez...



Uma mãe generosa, sábia e grande, mas, porém, muito temperamental, chamada Natureza. Sua casa, segundo consta, era o Universo inteirinho, mas um dia ela se cansou de ter uma casa tão grande, e resolveu que talvez fosse melhor ter um cantinho só seu, mesmo que fosse um cantinho pequenininho. Mais ou menos como quando a gente já vai virando adulto e ainda mora na casa do pai e da mãe, mas vive sonhado com um apartamentinho só da gente, para tocar disco bem alto, andar pela casa só de calção, pintar uma parede de cada cor e achar que tudo tem a cara da gente. Com a Natureza foi mais ou menos assim. Ela queria um planeta só dela, para ver seus bichos e suas plantas crescendo do jeito que ela quisesse. Onde ela pudesse pôr as coisas que gostava nos lugares onde quizesse.
A Natureza procurou pelo Universo inteiro. Com certeza, mesmo que por pouco tempo, chegou a morar em algum planeta de algum sistema solar distante, desses que a gente nem nunca ouviu falar. Com certeza também, deve ter esquecido muita coisa por lá na hora da mudança: um bicho, uma árvore, um pedacinho de mar. Mas o que conta é que a Natureza gostou foi do nosso sistema solar. Há quem diga que, no começo, ela ficou muito indecisa, não conseguia escolher o planeta certo. Também , com tanto planeta bonito. Saturno foi o que chamou mais a atenção, mas como já tinha seus anéis, a Natureza achou que não ficava bem mexer nele. Depois foi a vez do planeta Vênus, que brilha tanto, que até parece uma estrela. Só que a Natureza estava atrás de um planeta que não tivesse nada disso, onde pudesse mexer e remexer, decorar do jeito que mais gostasse: um oceano aqui , uma cordilheira ali, um desertinho do outro lado, uma floresta do lada de lá e assim por diante.


Quando a Natureza bateu o olho na Terra, falou: é esse! E aí, começou a decorar o planeta que, até aquele dia, não tinha nada. As florestas, os rios, as montanhas, os vales, os campos tudo a Natureza foi espalhando pelo planeta, como a gente também faz quando se muda para uma casa nova. Pões um quadro aqui, uma cadeira ali, uma mesinha do outro lado. A gente não gosta que ninguém mexa, que ninguém tire do lugar, que ninguém suje, que ninguém quebre nada. A Natureza também não. Para a Natureza, todas as suas coisas, as árvores, as montanhas e os bichos, eram uma coisa só, irmãos de uma mesma família. Generosa, a mãe Natureza, no começo, fez que não viu quando alguns bichos começaram a mexer em sua casa. Ela saía para dar uma voltinha pelo Universo e, quando voltava, perguntava: cadê a floresta que eu deixei aqui ? Quem borrou a água dório com essa tinta preta? Mãe Natureza ficava furiosa, porque ninguém respondia nada, mas, como mãe é mãe , ia perdoando, perdoando, perdoando...

Um dia, Mãe Natureza achou que estava perdoando demais. Afinal, ela não conseguia mais achar as montanhas, os vales, os campos e as matas que tão bem sabia encontrar em outros tempos. Alguns de seus filhos, uns seres vivos muito inquietos de uma espécie chamada raça humana, não só não se contentavam em tirar as coisas do lugar como, muitas vezes, teimavam em acabar com elas, como se o planeta fosse só deles. Secavam os rios, queimavam as florestas matavam os outros irmãos deles, os bichos, só porque não falavam a mesma língua. Às vezes, se matavam uns ais outros atirando brinquedos terríveis que ela não tinha ensinado e nem dado para ninguém. E esses brinquedos eram tão terríveis, que não apenas matavam, como criavam rachaduras e buracos enormes na casa de Mãe Natureza. Por isso, às vezes, Mãe Natureza ficava furiosa. Aí, sacudia a Terra todinha, com terremotos tremendos, só para repor as coisas em seus antigos lugares. Ou mandava a chuva cair forte e pesada, para cer se lavava a sujeira que tinha tomado conta de sua casa. Que nem a mãe da gente faz com o balde, quando a gente suja a sala da casa dela.

Hoje, Mãe Natureza está muito triste. Os filhos da raça humana continuam aprontando em sua casa. E recusando algumas coisas boas que ela lhes deu. É claro que nem todos fazem coisas ruins. Muitos estão aí tentando consertar o que os outros fizeram de errado durante todos esse tempo. Eles temem que, um dia, a paciência de Mãe Natureza se acabe e ela resolva procurar outra casa, outro planeta, num outro distante sistema solar do qual provavelmente jamais ouviremos falar, pois ela, com medo de outra bagunça, com certeza não vai deixar endereço.

Porque, se ela for embora, pode resolver levar os rios, os mares, os peixes, as flores, a onça e a neve para decorar a sua nova casa. Pode até convidar o sol e a lua para irem morar com ela. Mas será que ela vais nos levar? E, se não levar, o que vamos ficar fazendo aqui num planeta deserto, sem onça, sem neve, sem sol , sem rio e sem floresta?

Jornal de Casa, Belo Horizonte

6 comentários:

  1. Que linda essa mensagem sobre a mãe natureza...beijos,tudo de bom,chica

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  2. Tem selinho a Arvore da Amizade lá pra vc.

    Uma semana de bençãos para vc.

    beijooo.

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  3. Que maneira mais linda de contar uma história verdadeira! Um alerta que espero que todos reflitam. Belo post e ainda estou otimista, o homem sendo uma centelha de Deus não pode destruir uma obra tão perfeita. bjão amiga Adorei!

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  4. A natureza precisa de muito Amor do ser humano.
    Que bela de texto, conscietização plena
    Bom início de semana
    Um grande abraço

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  5. Amiga Cris,

    Adorei o seu texto. Sou acérrima defensora da natureza.
    Temos que fazer tudo para a proteger, antes que seja tarde demais.

    Obrigada pelo seu post.
    Beijos
    Fernanda Ferreira

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  6. Adorei o texto, que a mae natureza tenha misericordia de nos pois do jeito que esta indo, ela vai procurar outra casa rapidinho...

    um abraço

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